Você não se reconhece mais na foto de dezoito anos de sua carteira de identidade...Seus cabelos, agora um pouco ralos e com alguns fios brancos, não se identificam em nada com a idade do seu coração valente. As lentes dos seus óculos, cada vez mais precisando de ajustes, não lhe permitem enxergar direito o brilho das estrelas. E o tempo, que corre sem parar, o faz lembrar-se de Bandeira, da noite descendo, dos seus sortilégios...Será dura ou caroável, a indesejada das gentes? Como ela encontrará a minha casa? Impossível não fazer balanços!...A falsa inconsciência do dia da nossa passagem, nos leva a criar nomes bastante espirituosos para as nossas dores, para a nossa fadiga, como se quiséssemos inutilmente adiar o inadiável e amenizar o peso dos anos: janeiride, idade do condor, alemão ingrato!.. E ainda tão poeticamente, chamamos a velhice, pré-estréia do filme da nossa partida, de idade do crepúsculo, além de mais alguns outros nomes, que ironicamente não me recordo no momento (...)
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