terça-feira, 30 de dezembro de 2014

TECENDO A TEIA...

O ser humano é um universo! Certo? Uhum.. E como é interessante descobrí-lo! (veja bem: descobrí-lo e não especulá-lo), porque é comum tirar conclusões precipitadas sobre as pessoas. Pensando nisso e fazendo mais uma das minhas loucas conexões, já que o pensamento é uma rede, e uma rede a gente tece, tece, tece...Bem, pensando nisso, eu me lembrei do poema "Tecendo uma manhã", de João Cabral de Melo Neto:
"Um galo sozinho, não tece uma manhã
ele precisará sempre de outros galos
De um que apanhe esse grito
e o lance a outro..'
E no meu "tecer" comecei a refletir sobre o fato de que uma manhã apenas é insuficiente para "desvendarmos" um galo, ou o seu canto ou a sua motivação..
Quanto às pessoas, como já afirmei, costumamos fazer o uso de rótulos: sério, sem noção, fechado, extrovertido, inteligente, burro! Claro que uma pessoa é uma mistura de componentes, incluindo o seu princípio ativo, ou seja, possui, sem dúvida, uma característica marcante - Mas, ainda assim, não faz sentido rotular! Colocar uma marca como se fosse um produto que possui uma finalidade única, específica.
Para descobrir qual é o "meu princípio ativo" é preciso conviver comigo. É claro que muitas pessoas nem tentariam, já que algumas interações medicamentosas não são possíveis! Todavia, eu prefiro arriscar e desvendar o universo das pessoas. Sempre há algo de bom, de rico, de louco, de valioso a descobrir. Enfim, prefiro apanhar, a sua loucura, a sua bondade, a sua riqueza, o seu devaneio e lançá-los a outros...

NÃO SOU BLASÉ*!


A moda agora é "não estar nem aí!"... Como dizia o cantor Ritchie nos idos de milenovecentoseoitentaecinco: "sem paixão e sem dor"! Gente! Há certas coisas que estão óbvias, mas eu me RE-CU-SO a aceitar (ou pelo menos me recusava...) – Porém, antes de discorrer sobre, eu me pergunto, como Jack Johnson - Where'd all the good people go? Sim, por que pessoas boas se importam realmente umas com as outras... (Ou será que estou sendo uma pessoa retrógrada e equivocada? Bem, deve ser isso...).
Eu me recuso (recuso?) a acreditar que um “oi” não faça sentido algum, ou que um convite para um cafezinho seja apenas para constar... Mas, admito que ultimamente ando sentindo-me ridícula ao ligar para alguém confirmando se o “café” ainda "está de pé", quando de fato a pessoa autora do convite já nem se lembra mais que me convidou (risos). Detalhe: muitas vezes o evento já possui confirmação de local, horário e data! Mas, custa nada a gente se certificar, né?
Para piorar, quando se liga para alguém, quase se pode ouvir do outro lado, os pensamentos do nosso interlocutor - Meu Deus, porque simplesmente não mandou uma mensagem? Aliás, li hoje em uma postagem de uma amiga jornalista, que dizia: “o texto é a forma de interação mais desapegada e impessoal que existe. Ligações telefônicas são uma arte em decadência!” Nada contra as mensagens de texto! Eu também as uso... Enquanto isso, vou me desdobrando no celular: - Desculpa aí, meu amigo, eu não quero te incomodar, só liguei pra saber como você estava, ouvir a sua voz.. Não quero te cobrar nada, tá? Nem sua ausência, muito menos o café que você me convidou outro dia (rsrsr)...
Então, como eu estou musical hoje (mais ainda): “You more than a number in my lillte red book”. Você é mais que um número na minha agenda, ou simplesmente alguém que eu adicionei em um grupo ou no meu círculo. Sim, eu não sou blasé! Eu me importo, eu não sou indiferente. Gosto do face to face, do tête-à-tête. Inclusive, aproveitando que tem jogo da seleção brasileira hoje... (Ah, esquece! A gente combina alguma coisa pelo Whats).
*Blasé (ou blasée, na sua forma feminina) é um adjetivo do idioma francês, que classifica a atitude de uma pessoa cética, apática ou indiferente.

PÃO-DE-QUÊ?

Recordo-me bem de um dia em que oferecemos um lanche a um pedreiro que estava fazendo uma pequena reforma em minha casa. À primeira mordida, ele fez a seguinte observação: - Isso não é pão de queijo, é pão-de-quê! Meio constrangida, eu até sorri, para não piorar a situação. Decerto, o pãozinho, comprado em padaria, realmente não tinha sabor de queijo... Não farei aqui argumentação contra ou a favor da reação do simples alvanel, porém, lamento por ele não poder mais ter sido contratado para as próximas reformas. A única coisa tenho a dizer, é que o motivo da não-contratação não foi o seu paladar apurado, mas sim, a ausência de um ingrediente essencial ao seu trabalho: dedicação.

NUM SE IMPORTE!


Um dia alguém me disse - "Minha filha, você é nova, mas, daqui uns dias você vai aprender a num se importar." Pensando nisso, comecei a tecer minha rede de novo....
Quando somos jovens, temos a pretensão de provar que estamos certos. Temos bandeiras para levantar, e a indignação própria dessa época é necessária para o nosso aprendizado e até mesmo para que algumas mudanças ocorram...Nesta época é difícil manter o silêncio , segurar a fúria, não destilar o veneno. É difícil, "num se importar!".
Mas, quando os "dias chegam" e finalmente conseguimos olhar por cima, analisar as situações e até mesmo ignorá-las, atingimos um nível de consciência que faz com que olhemos para as situações mais ridículas e simplesmente não sermos atingidos por ela, conseguimos ficar neutros - apenas observando! (rs)
Muitas vezes, a gente sabe que sabe! Sabe inclusive que uns e outros não atingiram o seu nível de compreensão e infelizmente não atingirão jamais. E o que fazer com a nossa visão ampla, panorâmica, tridimensional, se não somos compreendidos? Discutir? Nos revoltar? Tentar empurrar o nosso entendimento 'goela a baixo'? Não! "num se importe", seja superior! Ignore e siga em frente!
Alegre-se pela alegria insignificante do outro. Pode ser esse o nível mais alto que ele possa atingir.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

TEMPO,TEMPO, QUE JÁ CORRE MACIO...

Você não se reconhece mais na foto de dezoito anos de sua carteira de identidade...Seus cabelos, agora um pouco ralos e com alguns fios brancos, não se identificam em nada com a idade do seu coração valente. As lentes dos seus óculos, cada vez mais precisando de ajustes, não lhe permitem enxergar direito o brilho das estrelas. E o tempo, que corre sem parar, o faz lembrar-se de Bandeira, da noite descendo, dos seus sortilégios...Será dura ou caroável, a indesejada das gentes? Como ela encontrará a minha casa? Impossível não fazer balanços!...A falsa inconsciência do dia da nossa passagem, nos leva a criar nomes bastante espirituosos para as nossas dores, para a nossa fadiga, como se quiséssemos inutilmente adiar o inadiável e amenizar o peso dos anos: janeiride, idade do condor, alemão ingrato!.. E ainda tão poeticamente, chamamos a velhice, pré-estréia do filme da nossa partida, de idade do crepúsculo, além de mais alguns outros nomes, que ironicamente não me recordo no momento (...)